"Cabe-nos a tarefa irrecusável, seriíssima, dia a dia renovada, de - com a máxima imediaticidade e adequação possíveis - fazer coincidir a palavra com a coisa sentida, contemplada, pensada, experimentada, imaginada ou produzida pela razão." Goethe

VAZÃO


Empresta-me os teus olhos
pois que os meus, estão mortos

São dois cadáveres em posse
de mil almas acorrentadas
por dúvidas que acreditam
estar em teus olhos, a resposta.

Empresta-me o norte de teus faróis
pois que uma imensidão me tomou

Mil horas em tantos naufrágios
que avistavam o sonho do outro lado 
à margem de encontros marcados
ainda na origem de nossos ancestrais.

Empresta-me o consolo dos afagos 
porque trago mil prantos ou mais

Ocultados por mil medos, temporais
cúmplices de tua condenatória falta
imposta; naquele fatídico dia em que 
pela tua ausência, eu morria.


                           Em 2016
 Imagem: monica devenan

17 comentários:

  1. Parabéns pelo fantástico poema. Amei

    Bom fim de semana.
    beijos

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  2. Um poema melancólico, mas muito bonito!
    Amei!

    Beijo

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  3. Bom dia Lu, a quem não detém mais os sentidos organizados para nortear seus procedimentos, cabe a solidariedade de um ser dotado de compaixão para com os necessitados confessos no sentido de se fazer farol diante deste apontando-lhe o caminho a ser perseguido, parabéns pelo vosso reflexivo e majestoso poema, eu te desejo um final de semana de muitas satisfações, um beijo com muito carinho neste teu generoso coração que o meu coração tanto ama, MJ.

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  4. Absorvo cada vocábulo do teu sentir poético, adorável Lucy Mara Mansanaris. Escoa a tristeza nesta poesia súplice, mas o teu lirismo incomum transcende mesmo assim.
    Aqui fico desejando te ver feliz e ofertando-te o que há de melhor em mim.
    Beijo terno, Antenor Rosalino.

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  5. Mara como é lindo teu blog!
    Dá para sentir tua alma aqui, inconfundível!
    Quanto a poesia nem preciso dizer.
    Tudo a la mãe da Vivi!
    Beijos! Vivian

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  6. Todos nos temos o nosso farol, olhos que nos guiam, por amor em meio a dor...

    Poema belissimo...

    Beijos, Lucy...

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  7. "Mil vidas presas nos olhos" parece mais o final de uma guerra perdida.
    Profundamente triste, mas versado com essa delicadeza singular, emudecedor!
    Cada dia me impressiono mais com o seu talento e sensibilidade, incrível!
    Amiga querida, preciso reler mais vezes.


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  8. A imagem me faz pensar em Caronte, sei que aprecia demais mitologia.
    "Mil vidas acorrentadas nos olhos" as mortes talvez nem tenham chegado ao seu destino! Seria isso?
    Seus poemas me instigam! Mais uma vez tenho que concordar com o querido Helio, és infinita!
    Estasiada com sua volta, não leve a mal meus exageros!
    Te quero muito bem Lucy! Tudo de melhor e mais belo, querida amiga!

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    1. Boa noite Amanda.
      Não há exagero algum. *Me encanta demais esse carinho, muito obrigada, de coração.
      Um beijo repleto do carinho mais transparente.

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  9. BELÍSSIMO!
    Me orgulho em saber que somos conterrâneos!

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  10. Imagem e textos maravilhosos, Lu, tuas digitais estão em cada verso.
    Visitei uma homenagem que Claudio Poeta fez para você há alguns anos, não resisti e vim te visitar também, vocês dois são brilhantes, teus MANUSCRITOS permanecem na minha mesa de cabeceira.
    Um lindo dia, DEUS abençoe tua família.
    Beijo

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  11. Amiga, o dia chuvoso me fez lembrar de quando poetizou que "as estrelas são ruas e a lua uma janela" esperando por elas vim parar aqui!
    As estrelinhas do mouse guiam linhas dos versos que fazem com que eu me perca nessa imensidão das tuas digitais!
    Esperando por mais, deixo meu carinho.
    Tudo de melhor e mais belo!

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  12. Mais um poema fantástico...

    Parabéns, amiga!

    Beijo

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  13. A tua poética invulgar é o que me faz ambicionar por voos mais altos, caríssima amiga Lucy Mara Mansanaris.
    Relendo e ofertando uma vez mais o que há de melhor em mim.
    Beijo terno, Antenor.

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Obrigada pelo carinho para com as minhas digitais.

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